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quarta-feira, 6 de julho de 2011

O inexplicável não é necessariamente obra de Deus


Ao olharmos para o mundo, vemos a incrível beleza e complexidade de uma flor que nasce
 em meio a um monte de gelo e neve. Facilmente nos chocamos com isso e pensamos em como
a natureza é resiliente e como, em meio ao absurdo ártico e desprovido de vida, numa situação
 cinzenta e improvável, pode nascer uma flor, bela, viva, colorida, tão certeira e otimista.
 Tão certeira, otimista e tão… natural.

Não cabe a mim explicar porque uma flor nasce onde nada mais nasce. Nem explicar aquele
 milagre que salvou um parente seu, ou que algum conhecido lhe contou com ares de espanto.
 Não explico e nem duvido. Quer dizer, duvido, mas sem arrogância. E não duvido do “milagre”
 em si, mas de uma explicação e de uma categoria de interpretação do tipo rodeada de pompa
e de uma névoa quase sobrenatural.

Realmente eu não consigo entender como se pode atribuir ao divino algo que simplesmente
está no campo do inexplicável. Por que não deixar a coisa lá, sem explicação, e deixar
que alguém, se algum dia se atrever, tente explicar aquilo através de um método racional?
 O ser humano, movido por paixões e e por motivações nada divinas, se deixa levar por
explicações mais saborosas e por narrativas mais tocantes, mas não olha para a banalidade
 daquilo que nem é tão fascinante assim, mas que ainda pode apetecer a sua razão.

Disse que não consigo entender, mas consigo entender em parte. É natural do homem contar
 histórias e imaginar o fantástico por trás do inexplicável. Acho válido e acho que nem
 poderíamos ser o que somos se assim não fosse. Sou o primeiro a defender isso:
 a imaginação e os sentimentos que vão além das amarras da razão. Mas isso é uma coisa
e não se mistura a um entendimento racional e cético do mundo.

O que acontece é que o mundo está fora de nós. Ele nem liga para as nossas historietas
 míticas. Se a humanidade acabar amanhã, o universo vai prosseguir com a costumeira
indiferença, além de Bíblia, de religião ou de qualquer entendimento que possamos fazer dele,
 científico ou não. Por isso não posso enxergar como fato algo que é baseado apenas em
sentimentos e paixões particulares, sem um método mais ou menos rígido de verificação.
 Não retiro a validade disso, como já disse, mas o mundo é o mundo, e devemos ir a ele
para entendê-lo, e não a nós mesmos.

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